Category: Educação e Sociedade em Rede

Comentários-síntese aos vídeos


Dear Professor Wesch,
This video is upstanding. Thank you.
Many teachers and education institutions, still grasp to inadequate pedagogical models and learning designs. We/they continue to attach to our/ their status quo and to a teaching comfort zone, forgetting the essential: technology has changed the context of learning, among other things, and the learning center is the learner not the teacher (it has always been but…).
The learners-persona expectations, goals, needs, language, connections, skills or difficulties have changed, regardless the obstinate maintenance of rigid, depersonalized and hierarchic structures of a lot of educational institutions (especially of the university/high level). Listening to (knowing how and what to listen) what students have to say is, again, crucial to understand witch pedagogical paths can be created or recreated, integrating positively the huge influence of technology in our lives, interactions and ways of thinking and learning.
Nevertheless, questions remain, mainly for economical and political reasons: What will the future of educational institutions be? What will happen to teachers that cannot follow or adapt to the changes? Meanwhile, “educators” are practicing within hybrid pedagogical models and coexisting teaching-learning designs.
Best regards, of a group of students taking an online Master Course on E-Learning Pedagogy at Universidade Aberta, in Portugal,
Manuel Lousa
Nathalie Ferret
Pedro Vargas


Dear Professor,
What a fantastic social network where youngest students can pull off, by themselves, isn’t it? For a lot of things, it seems even that they don’t need our old and traditional guidance. There’s much more we (teachers and educators in general) can learn with them, from their social and informal dynamic interactions, collaborative way of doing things and better adapting to nowadays (in this new century and within this network society) ideas, tools and resources than what they can learn with us. It’s important not to forget it. Only understanding this, we will be able to converge and share, among us all, knowledge and skills. The present video serves truly well this purpose.
Best regards,
Manuel Lousa, Nathalie Ferret and Pedro Vargas, master’s degree students on E-Learning Pedagogy at Universidade Aberta, Portugal.


Technology has changed our lives and our way of acting. Social networking sites like Facebook and Twitter introduced new concepts and cultural changes. We’ve noticed that the “machine” has created new concepts through cultural changes. In the past, people based their relationships on daily physical contact. Nowadays people, especially the younger generations, interact through the “machine.” Therefore, we can say that the “machine” has changed people’s behavior, created new ways of relating with each other, new ways of knowing and, of course, new content. All these contribute to the construction of identity and recognition and the notion of authenticity and “self” may be changing.
Another aspect that has changed with the use of the “machine” was the “context” that is dimmed. The one, who is communicating through the “machine”, does not know if someone is on the other side, however ‘that other side’ is as close as it has never been: It’s at the distance o a click… our thoughts take less than one second to reach the entire world, sculpted in an entire new language.
New technological resources promote new ways of finding our ‘true’ identity.
If it is true that we deepen the knowledge about ourselves through verbal interaction, and it’s true that the overwhelming multiplication of this interaction, promoted by the new media, can result in something good!
So good if it was as easy as that! We all know that it can result also in not so good things… Thank you for your challenge… we care!
Manuel Lousa, Nathalie Ferret and Pedro Vargas, master’s degree students on E-Learning Pedagogy at Universidade Aberta, Portugal.


Dear Professor Michael Wesch,
We are a group of students taking an online Master Course on E-Learning Pedagogy at Universidade Aberta, in Portugal. The teacher of Education and Society on the Web assigned us the following task: analyze and publish a post with a comment on your video.
We found your video “The Machine is Us /ing” very challenging and also full of meaningful content.
There is no doubt that Technology has changed our lives and the way we are. Sites, social networks like Facebook, Twitter, Blogs, YouTube, among others brought new concepts and cultural changes. In the past, people used to know each other face to face. Nowadays, people still connect but this time through the machine. So, we can say that people’s behavior has changed through times. Besides that, the new media created new ways of context, new ways of relating to others, new ways of knowing ourselves. These mediums shape not only conversations but also messages people are having or sending through them. In addition to this, the identity and the recognition are being also shaped. As a consequence, we can say that younger generations are addicted to the machine to the point that the person and the machine, they are only ONE.
In our viewpoint, nowadays people, especially younger generations still connect and communicate but using a different form of language and using the machine. So, we totally agree with the idea that “the machine is Us and that it is changing us”, even if we don’t notice it.
Best regards,
Manuel Lousa
Nathalie Ferret
Pedro Vargas

Recensão Crítica – equipa Sigma[Σ]

RECENSÃO CRÍTICA DOS VÍDEOS DE MICHAEL WESCH

No seguimento de uma proposta lançada em Educação na Sociedade em Rede, Unidade Curricular do Mestrado em Pedagogia do Elearning, na Universidade Aberta, o grupo SIGMA – Nathalie Ferret, Pedro Vargas e Manuel Lousa – elaborou a seguinte recensão crítica, dos quatro vídeos disponibilizados de MICHAEL Wesch:

Vídeo 1 – Students Helping Students

Vídeo 2 – A Vision of Students Today

Vídeo 3 – The Machine is (Changing) Us

Vídeo 4 – The Machine is Us/ing Us

Sobre o Autor:
Michael Wesch, é antropólogo cultural, “media ecologist” e professor associado, de Antropologia Cultural na Kansas State University. Reconhecido com um prémio de melhor professor do ano de 2008, dos EUA, pelos seus métodos a aplicação de técnicas inovadores no ensino, tem dedicado, igualmente, o seu trabalho/estudo a explorar os efeitos dos novos “media” na interação humana. Para esse fim, criou/está a criar um Grupo de trabalho de Etnografia Digital.

Sobre os Vídeos:
Vídeo1- Students Helping Students
Representa uma rede de estudantes, que se constitui graças à capacidade de organização, partilha e espírito colaborativo, possível entre pares e num ambiente informal, no sentido de apoiar outros estudantes.

Vídeo 2 – A Vision of Students Today
Neste vídeo somos confrontados com algumas características dos estudantes de hoje em dia, nomeadamente o uso constante da tecnologia, alguns dos seus objetivos e o que pretendem alcançar para o seu futuro. Por oposição, os estudantes são confrontados com a metodologia de ensino tradicional a qual lhes é aplicada e os problemas/ desafios que daí advêm.

Vídeo 3 – The Machine is (Changing) Us
Conferência apresentada no Personal Democracy Forum de 2009, no Lincoln Center, em que M. Wesch discorre, num tom que o próprio classifica de otimismo crítico, sobre os efeitos da tecnologia sobre o ser humano e as suas interações sociais.
A tecnologia mudou as nossas vidas e a nossa maneira de agir. Sites de redes sociais como o Facebook, Twitter introduziram novos conceitos e alterações culturais. Nesse sentido, podemos constatar que a “máquina” criou novos conceitos e operou mudanças culturais. No passado, as pessoas conheciam-se através das relações com os outros, no contacto diário. Hoje em dia as pessoas, sobretudo as novas gerações, interagem através da “máquina”. Logo, podemos afirmar que a “máquina” alterou o comportamento das pessoas, criou novos modos de relacionamento, novos meios de se conhecerem, de conversarem, novas mensagens. Tudo isto, contribui para a construção da identidade e do reconhecimento. Também a noção de autenticidade e de “eu” pode estar a mudar. Outro aspeto que mudou com o uso da “máquina” foi o “contexto” que desapareceu, pois a pessoa que está a comunicar através da “máquina” não sabe se se encontra alguém do outro lado. Por último, é de salientar mais uma mudança introduzida pela “máquina” e talvez esta seja a mais importante – uma nova linguagem, global e ao alcance de um clique.
Neste filme Michael Wesch tenta provar que os novos recursos tecnológicos podem promover novas formas dos indivíduos encontrarem a sua verdadeira identidade. Se aprofundamos o conhecimento sobre nós próprios através da interação verbal, a potenciação dessa interação, promovida pelos novos meios, só poderá resultar em algo de bom! Será?!
De forma simples e despretensiosa Wesch apresenta-nos aqueles que descreve como “vloggers” – pessoas que se gravam a si próprias em webcams, num formato confessional, ansiosas como resultado de um contexto que os posiciona face a um público desconhecido, oculto por detrás de uma câmara: Diz Wesch: “it’s like you can see straight through to someone’s core without feeling like you have to respond immedetiately. It almost gives you an artistic perspective about the individual. Even though it’s one of the most public spaces in the world, it’s also one of the most intimate.” No entanto alguns vídeos são editados com recurso a música de fundo, em certa medida manipuladora e tendente à criação de um ambiente que procura mais do que apenas “embelezar” o conteúdo.

Vídeo 4 – The Machine is Us/ing Us
Podemos dizer que hoje em dia, nas sociedades em que nos inserimos, as pessoas distanciaram-se progressivamente da máxima “nós somos a máquina”, visto que, atualmente, há cada vez mais pessoas, sobretudo jovens que estão dependentes da máquina. Isto é, não só condicionam a sua vida, como incluem na sua rotina diária coisas como a Internet, o computador ou o telemóvel, as quais já se tornaram imprescindíveis à sua convivência em sociedade. Nestes casos podemos afirmar que a máquina usa as pessoas.
A máquina (tecnologia) pode ser um meio facilitador das aprendizagens. Não há dúvida que a máquina (tecnologia) tem um papel preponderante no processo ensino / aprendizagem. Aliás, a geração atual já nasceu e cresceu sob influência da máquina (tecnologia). Daí eles manejarem as tecnologias com velocidade e habilidade, saberem encontrar informação e alguns até a elaboram e comunicam com facilidade. No entanto, talvez se corra o risco desta mesma geração perder valores fulcrais como o da solidariedade e do voluntariado.

Apreciação crítica global:
Da análise dos vídeos, poder-se-ão extrair duas ideias, neles subjacentes, que consideramos fundamentais: pelo viés das tecnologias aplicadas à informação e comunicação e das concomitantes alterações sociais, culturais, políticas e económicas, o processo de ensino-aprendizagem está em plena transformação e a levar os seus intervenientes a ter que requestionar todo o sistema educacional, nomeadamente o de nível superior; é pelos e com os estudantes-aprendentes, que podemos e devemos revê-lo.
O modelo estrutural, ainda hoje prosseguido (ainda que de forma algo híbrida, dada a coexistência, por exemplo, do modelo da Universidade Aberta e de outras universidades ditas tradicionais) pelas instituições educacionais, e pelos principais intervenientes no ensino, encontra-se obsoleto. Os métodos e técnicas de ensino-aprendizagem, aplicados ao longo do século XX, e ainda neste início de século, já não correspondem à realidade social e às necessidades de uma sociedade tecnológica, de uma Sociedade em Rede. São os próprios alunos, os aprendentes (vídeo 2), que nos alertam para isso, que exigem o derrubar dos muros. Diz Wesch: “We don’t have to tear the walls down. We just have to stop pretending that the walls separate us from the world, and begin working with students in the pursuit of answers to real and relevant questions” Wesch (2008). É nos aprendentes que é preciso recentrar a nossa atenção. Na sua aprendizagem. Os livros, o quadro e o giz, as salas de aula fechadas ao mundo, o saber entendido de forma estática, o conhecimento transmitido unilateralmente entre professor-alunos, a limitação hierárquica das interações sociais no seio das instituições, a pressão exercida sobre os alunos (ao focalizar-se, por exemplo, o processo na obtenção de resultados), tudo isso deixa hoje de fazer sentido, ou pelo menos necessita de ser reformulado ou “refundado”.
O raciocínio mudou, está a ser “reformatado” pelo hipertexto (vídeo 4) e quando forçado pelas inovações tecnológicas adquire novos contextos e rescreve-se a cada segundo, a cada upload e cada clique. Desenvolve-se num contexto povoado por seres em construção, dependentes e alimento para a rede que os liga. Também os recursos e ferramentas de aprendizagem parecem ser infindáveis, sempre em construção e descobrindo novos caminhos para a construção do conhecimento. Os aprendentes emergem numa nova linguagem, numa nova cultura, novas apropriações do saber e novos mecanismos de aprendizagem adaptados à sociedade de hoje.
Interpretando desta forma os vídeos criados por Michael Wesch, com, para e pelos aprendentes resulta a necessidade de as instituições se adaptarem e avançarem para novas (peda)gogias. Para uma “peeragogy”? Para novos “learning contexts and designs”? Será o Mobile Learning, o futuro? Serão os MOOC, os cursos de amanhã?

Bibliografia
Wesch, M. (2008). A Vision of Students Today (& What Teachers Must Do) [Blogue] Encyclopedia Britannica Blog. Consultado a 20 de janeiro, 2013, em http://www.britannica.com/blogs/2008/10/a-vision-of-students-today-what-teachers-must-do/

Autenticidade e Transparência na Rede.

O Papel surgiu como um dos principais suportes à informação e hoje em dia, continua a sê-lo, pois contribui para a difusão do conhecimento através do registo de informações.
Com a globalização e os grandes avanços tecnológicos que têm ocorrido nas ultimas décadas, estamos perante uma explosão de informação armazenada em meio digital. Ao contrário do papel, a informação digital tem como uma das suas características a dissociação do suporte e do conteúdo, pois a informação pode ser transferida de um suporte digital para outro, possibilitando uma maior difusão da mesma mas possibilitando também perda ou alteração do conteúdo original ou seja, nem sempre aquilo que encontramos na rede é autêntico. Daí a importância da preservação digital, uma vez que esta procura conservar a informação armazenada em meio digital, com procedimentos específicos e técnicas apropriadas para cada tipo de informação, garantindo não só a acessibilidade à informação no futuro mas também a autenticidade da mesma. Assim, e de forma a garantir a qualidade da informação e a idoneidade da utilização da mesma, um dos requisitos essenciais para garantir a autenticidade da informação é a utilização de metadados, especialmente metadados de preservação digital ao longo do tempo, registando todas as estratégias aplicadas e as mudanças ocorridas. Na minha opinião, a questão da autenticidade está intimamente ligada com a questão da identidade, uma vez que quando utilizamos o ciberespaço temos tendência a ocultar a nossa verdadeira identidade, forjando uma “identidade” isto é, criamos uma identidade virtual de acordo com o contexto em que nos encontramos. Logo, no mundo virtual, a pessoa não se define pelo que é, mas pelo que quer ser. Pertencer a uma determinada comunidade virtual é compartilhar um mesmo território, os mesmos sentimentos e impressões. É exibir-se da forma que se achar mais conveniente, carregando consigo a segurança de ter ao lado várias pessoas que pensam da mesma forma e que assim reforçam o ideal de grupo. No ambiente do ciberespaço, é dada ao individuo a liberdade de se afirmar da forma que quiser, de se representar da maneira que deseja e encontrar nas malhas da rede virtual a solidariedade de grupos que o acolhem no seu grupo. Nesse sentido, posso afirmar que o ciberespaço é um mundo com potencialidade infinitas que permite a construção de uma identidade que, de acordo com as nossas preferências, poderá ou não corresponder ao que na realidade somos. Em jeito de conclusão, deixaria duas questões no ar:
Será que a construção da identidade tem sido influenciada pelas relações virtuais?
Até que ponto a Identidade virtual traduz totalmente a Identidade real?

REFLEXÃO SOBRE CIBERCULTURA

Este trabalho foi realizado no âmbito da Unidade Curricular Educação e Sociedade em Rede, do Mestrado em Pedagogia do Elearning da Universidade Aberta.

Segundo Levy o ciberespaço é um espaço acima de tudo metafórico e não um verdadeiro espaço. É um espaço de comunicação que está aberto à interconexão mundial dos computadores. O ciberespaço e a cibercultura são o conjunto das técnicas, dos modos de fazer, dos modos de ser, dos valores, das representações que estão ligados à extensão do ciberespaço. Este continuará a prolongar-se de forma a que todos os computadores do planeta estejam interligados e em consequência, cada vez mais pessoas, grupos, instituições participarão na comunicação que decorre nesse espaço. Quanto mais universal é o ciberespaço, mais interconexões há e mais interativo ele se tornará porque existem constantemente novas informações, novas fontes de informação e novos pontos de vista. Daí Levy (1999) afirmar que o ciberespaço é o “ espaço de comunicação, de sociabilidade, de organização e de transação, mas também o novo mercado da informação e do conhecimento” (p.32). Logo quando o autor fala de cibercultura está a referir-se a uma cultura no sentido antropológico do termo, porque ela representa um novo conceito de universal. Assim e de acordo com Levy (1999) a cibercultura é o “conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamentos e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço” (p. 17). As técnicas que estão subjacentes ao conceito de ciberespaço e cibercultura tal como as tecnologias são produtos da sociedade e da cultura, dado que são imaginadas, fabricadas e utilizadas pelos humanos. Daí as técnicas condicionarem a sociedade, mas não a determinarem, uma vez que a técnica abre muitas possibilidades na sociedade. Por si só uma técnica não é boa nem é má, ela depende do contexto e do uso que dela se faz.

No que concerne os três exemplos e dada a variedade dos mesmos, optei por selecionar os que considerei mais significativos nomeadamente, o hipertexto, a música tecno e finalmente, a simulação.

Relativamente ao primeiro exemplo, começo por referir que Levy elabora o conceito de hipertexto. Por um lado, ele mostra os seus desenvolvimentos recentes sob a forma de multimédia interativa que incorpora textos, imagens, sequências sonoras, sequências virtuais, utilizadas de modo interativo para fins educativos. Por outro lado, Levy serve-se do conceito de hipertexto como de um modelo, de uma metáfora, para estabelecer ligações complexas entre o texto e o contexto, e faz desaparecer gradualmente a fronteira entre os dois. A metáfora do hipertexto ajudará Levy a delinear uma teoria hermenêutica da comunicação. Esta teoria põe a tónica no significado e não na qualidade da informação transmitida.

O hipertexto possibilita uma mobilidade de navegação instantânea. O hipertexto possibilita ainda ao leitor a construção do seu próprio roteiro, tornando-se assim: leitor-autor. “Com o hipertexto toda leitura é uma escrita potencial” (LÉVY,. 1999, p. 264). Também na mesma perspetiva de hipertexto Levy (1999) propõe os elementos que compõe o hipertexto: “O hipertexto é constituído por nós (os elementos de informação, parágrafos, páginas, imagens, sequências musicais etc.) e por links entre esses nós, referências, notas, ponteiros, “botões” indicando a passagem de um nó a outro” (p. 56).

A partir da ideia de hipertexto como algo dinâmico, ou ainda, nas palavras de Lévy (1999), “um caleidoscópio, que apresenta as suas faces, gira, desdobra-se à vontade frente ao leitor” (p. 56), percebe-se a riqueza da leitura hipertextual; os links até podem ser semelhantes às tradicionais notas de rodapés, contudo o hipertexto propicia ao leitor uma possibilidade única de escolher e trilhar o seu próprio caminho de leitura.

Podemos concluir que o hipertexto é um instrumento bem adaptado à pedagogia ativa, visto que como ferramenta de ensino e aprendizagem facilita um ambiente no qual a aprendizagem acontece pela descoberta. Ao tentar localizar uma informação, os leitores do hipertexto, participam ativamente de um processo de busca e construção do conhecimento.

Relativamente ao segundo exemplo, a música tecno, com as suas inovações e fórmulas dinâmicas, é um exemplo do universal sem totalidade que define a essência da cibercultura, é “Universal pela difusão de uma música e de uma audição planetárias; sem totalidade, já que os estilos mundiais são múltiplos, em via de transformação e de renovação constantes” (Lévy, 1999, p. 139)

A música tecno inaugura uma nova forma de sociabilidade, que já não tem relação com uma inspiração, como na tradição oral ou de gravação, nem com a interpretação de uma partitura. Para “na techno, cada ator do coletivo de criação extrai matéria sonora de um fluxo em circulação em uma vasta rede tecno-social. Essa matéria é misturada, arranjada, transformada, depois reinjetada na forma de uma peça “original” no fluxo de música digital em circulação”. (Lévy, 1999, p. 141) Este fluxo é igualmente “universal” na medida em que se alimenta do “todo” da música, desde a mais moderna à mais arcaica. Em suma, e no caso concreto da música techno estamos perante uma fórmula dinâmica que define a essência da cibercultura: quanto mais é universal, menos totalizadora é.

Como último exemplo, a simulação. De entre os novos tipos de conhecimento englobados pela cibercultura, a simulação ocupa um lugar central. Numa definição a simulação consiste, “numa tecnologia intelectual que amplifica a imaginação individual (aumento de inteligência) e permite aos grupos que compartilhem, negociem e refinem modelos mentais comuns, qualquer que sejam a complexidade deles (aumento da inteligência coletiva) ” (Lévy, 1999, p. 165).

A simulação prolonga e transforma as capacidades de imaginação e pensamento, aumentando também as capacidades cognitivas como a memória, o cálculo e o raciocínio lógico. A simulação está presente em diversas atividades humanas, como a pesquisa científica, criação industrial ou jogos online. Com um “(…) papel crescente nas actividades de pesquisa científica, de criação industrial, de gestão, de aprendizagem, mas também nos jogos e diversões (…)”, a simulação “permite colocar imagens e compartilhar mundos virtuais e de universos de significado de grande complexidade.” (Lévy, 1999, p. 166). Do ponto de vista da inteligência coletiva, a simulação permite não só passar para imagem, mas também a partilha de mundos virtuais e de universos de significado de uma grande complexidade.

Conclusão

A cultura está a mudar, pois a cultura consiste num processo de transmissão, um processo de comunicação entre os seres humanos, é aquilo que possibilita aos seres humanos terem uma história que tem por base a transmissão, a memória, a partilha de informação e de conhecimento. E é precisamente através dos novos suportes, novos espaços de partilha, de transmissão de memórias que a partilha de informação e de conhecimento é feita.

Em resumo, a cultura está a transformar-se.

Referências bibliográficas

LÉVY, Pierre.(1999) Cibercultura. São Paulo: 34.