Recensão Crítica – equipa Sigma[Σ]

RECENSÃO CRÍTICA DOS VÍDEOS DE MICHAEL WESCH

No seguimento de uma proposta lançada em Educação na Sociedade em Rede, Unidade Curricular do Mestrado em Pedagogia do Elearning, na Universidade Aberta, o grupo SIGMA – Nathalie Ferret, Pedro Vargas e Manuel Lousa – elaborou a seguinte recensão crítica, dos quatro vídeos disponibilizados de MICHAEL Wesch:

Vídeo 1 – Students Helping Students

Vídeo 2 – A Vision of Students Today

Vídeo 3 – The Machine is (Changing) Us

Vídeo 4 – The Machine is Us/ing Us

Sobre o Autor:
Michael Wesch, é antropólogo cultural, “media ecologist” e professor associado, de Antropologia Cultural na Kansas State University. Reconhecido com um prémio de melhor professor do ano de 2008, dos EUA, pelos seus métodos a aplicação de técnicas inovadores no ensino, tem dedicado, igualmente, o seu trabalho/estudo a explorar os efeitos dos novos “media” na interação humana. Para esse fim, criou/está a criar um Grupo de trabalho de Etnografia Digital.

Sobre os Vídeos:
Vídeo1- Students Helping Students
Representa uma rede de estudantes, que se constitui graças à capacidade de organização, partilha e espírito colaborativo, possível entre pares e num ambiente informal, no sentido de apoiar outros estudantes.

Vídeo 2 – A Vision of Students Today
Neste vídeo somos confrontados com algumas características dos estudantes de hoje em dia, nomeadamente o uso constante da tecnologia, alguns dos seus objetivos e o que pretendem alcançar para o seu futuro. Por oposição, os estudantes são confrontados com a metodologia de ensino tradicional a qual lhes é aplicada e os problemas/ desafios que daí advêm.

Vídeo 3 – The Machine is (Changing) Us
Conferência apresentada no Personal Democracy Forum de 2009, no Lincoln Center, em que M. Wesch discorre, num tom que o próprio classifica de otimismo crítico, sobre os efeitos da tecnologia sobre o ser humano e as suas interações sociais.
A tecnologia mudou as nossas vidas e a nossa maneira de agir. Sites de redes sociais como o Facebook, Twitter introduziram novos conceitos e alterações culturais. Nesse sentido, podemos constatar que a “máquina” criou novos conceitos e operou mudanças culturais. No passado, as pessoas conheciam-se através das relações com os outros, no contacto diário. Hoje em dia as pessoas, sobretudo as novas gerações, interagem através da “máquina”. Logo, podemos afirmar que a “máquina” alterou o comportamento das pessoas, criou novos modos de relacionamento, novos meios de se conhecerem, de conversarem, novas mensagens. Tudo isto, contribui para a construção da identidade e do reconhecimento. Também a noção de autenticidade e de “eu” pode estar a mudar. Outro aspeto que mudou com o uso da “máquina” foi o “contexto” que desapareceu, pois a pessoa que está a comunicar através da “máquina” não sabe se se encontra alguém do outro lado. Por último, é de salientar mais uma mudança introduzida pela “máquina” e talvez esta seja a mais importante – uma nova linguagem, global e ao alcance de um clique.
Neste filme Michael Wesch tenta provar que os novos recursos tecnológicos podem promover novas formas dos indivíduos encontrarem a sua verdadeira identidade. Se aprofundamos o conhecimento sobre nós próprios através da interação verbal, a potenciação dessa interação, promovida pelos novos meios, só poderá resultar em algo de bom! Será?!
De forma simples e despretensiosa Wesch apresenta-nos aqueles que descreve como “vloggers” – pessoas que se gravam a si próprias em webcams, num formato confessional, ansiosas como resultado de um contexto que os posiciona face a um público desconhecido, oculto por detrás de uma câmara: Diz Wesch: “it’s like you can see straight through to someone’s core without feeling like you have to respond immedetiately. It almost gives you an artistic perspective about the individual. Even though it’s one of the most public spaces in the world, it’s also one of the most intimate.” No entanto alguns vídeos são editados com recurso a música de fundo, em certa medida manipuladora e tendente à criação de um ambiente que procura mais do que apenas “embelezar” o conteúdo.

Vídeo 4 – The Machine is Us/ing Us
Podemos dizer que hoje em dia, nas sociedades em que nos inserimos, as pessoas distanciaram-se progressivamente da máxima “nós somos a máquina”, visto que, atualmente, há cada vez mais pessoas, sobretudo jovens que estão dependentes da máquina. Isto é, não só condicionam a sua vida, como incluem na sua rotina diária coisas como a Internet, o computador ou o telemóvel, as quais já se tornaram imprescindíveis à sua convivência em sociedade. Nestes casos podemos afirmar que a máquina usa as pessoas.
A máquina (tecnologia) pode ser um meio facilitador das aprendizagens. Não há dúvida que a máquina (tecnologia) tem um papel preponderante no processo ensino / aprendizagem. Aliás, a geração atual já nasceu e cresceu sob influência da máquina (tecnologia). Daí eles manejarem as tecnologias com velocidade e habilidade, saberem encontrar informação e alguns até a elaboram e comunicam com facilidade. No entanto, talvez se corra o risco desta mesma geração perder valores fulcrais como o da solidariedade e do voluntariado.

Apreciação crítica global:
Da análise dos vídeos, poder-se-ão extrair duas ideias, neles subjacentes, que consideramos fundamentais: pelo viés das tecnologias aplicadas à informação e comunicação e das concomitantes alterações sociais, culturais, políticas e económicas, o processo de ensino-aprendizagem está em plena transformação e a levar os seus intervenientes a ter que requestionar todo o sistema educacional, nomeadamente o de nível superior; é pelos e com os estudantes-aprendentes, que podemos e devemos revê-lo.
O modelo estrutural, ainda hoje prosseguido (ainda que de forma algo híbrida, dada a coexistência, por exemplo, do modelo da Universidade Aberta e de outras universidades ditas tradicionais) pelas instituições educacionais, e pelos principais intervenientes no ensino, encontra-se obsoleto. Os métodos e técnicas de ensino-aprendizagem, aplicados ao longo do século XX, e ainda neste início de século, já não correspondem à realidade social e às necessidades de uma sociedade tecnológica, de uma Sociedade em Rede. São os próprios alunos, os aprendentes (vídeo 2), que nos alertam para isso, que exigem o derrubar dos muros. Diz Wesch: “We don’t have to tear the walls down. We just have to stop pretending that the walls separate us from the world, and begin working with students in the pursuit of answers to real and relevant questions” Wesch (2008). É nos aprendentes que é preciso recentrar a nossa atenção. Na sua aprendizagem. Os livros, o quadro e o giz, as salas de aula fechadas ao mundo, o saber entendido de forma estática, o conhecimento transmitido unilateralmente entre professor-alunos, a limitação hierárquica das interações sociais no seio das instituições, a pressão exercida sobre os alunos (ao focalizar-se, por exemplo, o processo na obtenção de resultados), tudo isso deixa hoje de fazer sentido, ou pelo menos necessita de ser reformulado ou “refundado”.
O raciocínio mudou, está a ser “reformatado” pelo hipertexto (vídeo 4) e quando forçado pelas inovações tecnológicas adquire novos contextos e rescreve-se a cada segundo, a cada upload e cada clique. Desenvolve-se num contexto povoado por seres em construção, dependentes e alimento para a rede que os liga. Também os recursos e ferramentas de aprendizagem parecem ser infindáveis, sempre em construção e descobrindo novos caminhos para a construção do conhecimento. Os aprendentes emergem numa nova linguagem, numa nova cultura, novas apropriações do saber e novos mecanismos de aprendizagem adaptados à sociedade de hoje.
Interpretando desta forma os vídeos criados por Michael Wesch, com, para e pelos aprendentes resulta a necessidade de as instituições se adaptarem e avançarem para novas (peda)gogias. Para uma “peeragogy”? Para novos “learning contexts and designs”? Será o Mobile Learning, o futuro? Serão os MOOC, os cursos de amanhã?

Bibliografia
Wesch, M. (2008). A Vision of Students Today (& What Teachers Must Do) [Blogue] Encyclopedia Britannica Blog. Consultado a 20 de janeiro, 2013, em http://www.britannica.com/blogs/2008/10/a-vision-of-students-today-what-teachers-must-do/

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